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Zé Cantor: da infância no Ceará ao posto de Rei do Alô no forró

Publicado em 24/07/2026 · por Redação BRENO CDs · atualizado em 31/07/2026 às 15:38

Zé Cantor: da infância no Ceará ao posto de Rei do Alô no forró

Conheça a trajetória de Zé Cantor, artista que começou trabalhando na roça, marcou o Solteirões do Forró e mantém carreira renovada após três décadas.

José Raimundo de Lima, o Zé Cantor, transformou uma infância de trabalho em Morada Nova, no Ceará, numa carreira de mais de três décadas. Conhecido como Rei do Alô, o artista atravessou diferentes fases do forró, marcou a história do Solteirões do Forró e construiu uma trajetória solo sem abandonar a irreverência, a vaquejada e a interação com o público.

Filho de Maria José da Conceição, a Zilma, Zé conheceu cedo a necessidade de ajudar em casa. Aos 10 anos, colhia feijão e algodão, cuidava da irmã e contribuía enquanto a mãe trabalhava como empregada doméstica. Antes do nome artístico, chegou a ser chamado de Zé da Zilma, homenagem que mostra a importância materna em sua formação.

A música começou com pandeiro e apresentações na cidade

Aos 13 anos, o jovem começou a tocar pandeiro e logo aprendeu outros instrumentos. Rei do Baralho foi a primeira música interpretada por ele em público. Os passos profissionais vieram ao lado de Chiquinho do Acordeon, em Morada Nova, antes de um convite que mudaria sua história.

João Bandeira chamou Zé para substituir temporariamente um vocalista. A participação virou uma parceria de quase 17 anos e uma escola artística. Foi Bandeira quem criou o nome Zé Cantor depois de ouvi-lo cantar músicas de vaquejada durante uma viagem. O apelido permaneceu e se tornou marca reconhecida em todo o Nordeste.

João Bandeira formou uma base para a carreira

Zé costuma definir o veterano como professor, referência e figura paterna. A convivência longa ofereceu experiência de palco, repertório e disciplina. Antes de alcançar projeção nacional, o cantor aprendeu a conduzir festas, improvisar e conversar com plateias de perfis diferentes.

Toca do Vale também reconheceu sua contribuição para manter vivas tradições do forró de vaquejada e do pé de serra. Essa ligação com raízes ajuda a explicar por que Zé conseguiu acompanhar mudanças do mercado sem perder identificação com fãs antigos.

Rei do Alô nasceu da interação com o público

A irreverência e os improvisos renderam o apelido Rei do Alô. Durante os shows, Zé envia mensagens, brinca com cidades e pessoas e transforma a apresentação em conversa coletiva. Essa habilidade cria proximidade e diferencia o artista mesmo quando interpreta repertórios conhecidos.

Num gênero fortemente ligado a festas presenciais, a comunicação é tão importante quanto a voz. O público deseja reconhecer a música, mas também sentir que aquela noite é única. Os “alôs” funcionam como sinal de pertencimento e continuam sendo parte central de sua identidade.

Solteirões do Forró marcou a grande virada

Em 2005, Zé assumiu os vocais do Solteirões do Forró. Ao lado de Taty Girl, formou uma das duplas mais lembradas do forró eletrônico. A banda percorreu o Brasil, ampliou sua base de fãs e consolidou um repertório que permanece vivo. Taty retornou ao grupo em 2011 e ficou até 2014, reforçando uma parceria que também virou amizade.

Walkyria Santos integrou a formação entre 2014 e 2016, e Monique Pessoa também dividiu os vocais com o cantor. As mudanças mostraram sua capacidade de adaptar duetos sem perder a condução do grupo. Depois de 12 anos, Zé deixou a banda para iniciar uma etapa independente.

Carreira solo preservou essência e abriu novos caminhos

Em 2018, o audiovisual Agora Sou Eu e Você – Ao Vivo marcou oficialmente o início solo. O título comunicava autonomia, mas o trabalho manteve características que haviam consagrado o artista: carisma, repertório popular e energia de festa. A transição permitiu controlar projetos e construir uma marca própria.

Entre os sucessos associados à trajetória estão Carro Pancadão, Viva a Bagaceira, Festa na Piscina e É o Chefe. As músicas atravessam fases do Solteirões e da carreira independente, combinando humor, romantismo, vaquejada e forró eletrônico.

Três décadas e uma carreira ainda em movimento

Em março de 2025, Zé realizou a primeira turnê internacional, com apresentações em Porto e Lisboa durante o FestVybbe. Dividiu programação com Xand Avião, Nattan e Mari Fernandez, levando seu repertório para brasileiros e admiradores do forró em Portugal.

A longevidade resulta da capacidade de reconhecer mudanças sem abandonar origem. Zé passou da divulgação por CDs e rádios para plataformas e redes sociais, mantendo os shows como centro da relação com os fãs. Novos projetos convivem com músicas que ajudaram a definir o forró eletrônico.

A influência também aparece em artistas mais jovens, que observam sua forma de conduzir o palco e valorizar a cultura da vaquejada. Ao permanecer ativo, ele conecta gerações e prova que tradição não significa repetição: ela pode servir como base para repertórios, colaborações e formatos renovados.

Do menino que trabalhava na roça ao artista chamado de mestre por colegas, sua trajetória resume esforço, aprendizado e permanência. Zé Cantor não se tornou Rei do Alô apenas por uma expressão repetida no palco. O título representa a habilidade de falar diretamente com o público e manter essa conversa ativa por mais de 30 anos.

O reconhecimento atual também destaca a importância de preservar a memória do forró eletrônico. Histórias como a de Zé Cantor ajudam a explicar como bandas, casas de show e rádios regionais formaram um mercado potente antes do domínio das plataformas. Ao registrar essa caminhada, novos artistas encontram referências de disciplina, identidade e relação duradoura com o público.

Fonte consultada: acessar publicação original. Conteúdo editado e contextualizado pela Redação BRENO CDs.

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